Conservatório de Música de Niterói, em parceria com o Programa Aprendiz, oferece Ciclo de Capacitação Interna “Introdução à Educação Anticapacitista”

Nesta quarta-feira, dia 15 de fevereiro, aconteceu a primeira palestra do ano para produtores e professores do Programa Aprendiz Musical – iniciativa mantida pela Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal de Ações Estratégicas e Economia Criativa –, no Conservatório de Música de Niterói. “Ciclo de Capacitações Internas – Introdução à Educação Anticapacitista”, por Felipe Monteiro (44), que se tornou deficiente visual aos 36 anos de idade, em decorrência de uma meningite, abrangeu as questões relativas ao tema ‘capacitismo’ – discriminação da pessoa com deficiência.

Felipe iniciou a palestra fazendo uma autodescrição, informando nome, deficiência, idade, altura, gênero, além de suas características físicas e vestimentas. Por meio deste bate-papo, os professores puderam aprender como fazer uma autodescrição; o que significa tecnologia assistiva (conjunto de recursos e serviços usados para auxiliar pessoas com deficiência); quais os perfis das pessoas com deficiência (intelectual, auditiva, física, visual, entre outros); acessibilidade; a necessidade de um bom atendimento, sempre agindo com naturalidade e ficando atento às especificidades; a terminologia correta e a incorreta; entre outros assuntos.

“Esta palestra é de suma importância. Trazer este tema de anticapacitismo aqui para dentro é muito relevante. A música, com a qual trabalho há mais de trinta anos, é vista como de elite, que só os ricos podem aprender e não é verdade. Isso tem que ser desconstruído. Os que aqui estão presentes vão levar o tema de hoje para a vida e passar para outras pessoas o que aprenderam, multiplicando a informação”, explica Felipe.

A explanação contou com vídeos com autodescrição, com sinais de libras e outras formas acessíveis. Um deles demonstrou uma audiodescrição, que deve ser ao vivo, realizada em um concerto, descrevendo o instrumento utilizado na hora, além de dar uma pincelada das questões mais importantes. Também foi abordado como se deve fazer uma apresentação acessível, como slides com fundo preto e caracteres brancos, fonte ampliada, evitar imagens meramente ilustrativas, alinhamento à esquerda, descrever o sinal em libras (se houver), entre outras dicas. Aprenderam, ainda, como evitar situações capacitistas no local de trabalho e na família, por exemplo. Também puderam perceber a necessidade de sempre colocar a pessoa antes de tudo: pessoa com deficiência visual, pessoa com deficiência física, pessoa com deficiência intelectual, para citar alguns exemplos.

“Este tipo de aula é muito importante, sobretudo para os mestres do Programa Aprendiz, que lidam com jovens e crianças no dia a dia. A educação anticapacitista frisa que não é mais tolerável a discriminação da pessoa com deficiência, respeitando a individualidade de cada um”, afirma André Diniz, secretário de Ações Estratégicas e Economia Criativa.

Sobre Felipe Monteiro
Especialista em educação e música, acessibilidade cultural e audiodescrição. Autor de cinco livros sobre deficiência visual, acessibilidade musical e audiodescrição e possui trinta anos de experiência como professor de música. É membro de vários grupos de pesquisa e estudos na área.

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