Combate ao discurso de ódio na internet é tema de debates em Niterói

O combate ao discurso de ódio na internet foi tema de debates em Niterói, nesta terça-feira (19). De manhã, a segunda edição do encontro “Elas Governam”, promovido pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) no Theatro Municipal, abriu com a mesa “Desafios na era digital: violência política de gênero e raça, misoginia, pedofilia e ascensão de grupos de ódio contra meninas e mulheres na internet”. De tarde, o seminário “O direito das crianças e as crianças com direitos”, na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural, promoveu a mesa “Infâncias no mundo digital: direitos, uso de telas, inclusão e prevenção de violências”.

Ambos os eventos também falaram da importância do ECA Digital, legislação complementar ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em vigor desde março deste ano, a lei tem por objetivo proteger menores de 18 anos no ambiente virtual e combater crimes on-line, violência e exploração comercial.

“Defender a infância é defender o futuro da nossa sociedade. O Maio Laranja nos lembra que o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva, que exige atenção, coragem e compromisso de todos nós. O seminário reafirma o compromisso de Niterói com a proteção integral das nossas crianças, para além da temática da campanha, reunindo nomes importantes e especialistas reconhecidos nacionalmente para ampliarmos o debate, compreendendo a infância no atual contexto de sociedade, enquanto cidadãos de direitos, fortalecendo as redes de proteção e construindo caminhos mais humanos, seguros e acolhedores para nossas infâncias”, ressaltou Fernanda Neves, primeira-dama e coordenadora do programa Niterói por Elas.

No Reserva Cultural, Gabriel Chalita abriu a programação e emocionou a plateia com a conferência “O direito de ser criança: educação, afeto e proteção em tempos de indiferença”. Na sequência, o pediatra Daniel Becker, a psicóloga e pedagoga Luiza Sassi e Maria Antônia Goulart, especialista em políticas públicas de educação integral, participaram da mesa “Infâncias no mundo digital: direitos, uso de telas, inclusão e prevenção de violências”. Com mediação de Fernanda Neves, eles trataram de assuntos como infância e ambiente digital; cyberbullying e violência online; impactos do uso excessivo de telas e educação digital para famílias e escolas.

“Ao mesmo tempo em que muitas crianças de hoje não podem acessar a rua, porque os pais ficam com medo da violência, elas estão expostas ao mundo digital, à rua digital, com toda a sua perversidade. Que infâncias são essas que estão sendo construídas? Outro tema que precisa ser pautado é o do abuso sexual infantil, porque não dá mais para a sociedade conviver com isso e naturalizar esse assunto. Estamos em uma campanha da Prefeitura que enfatiza que violência não é silêncio, é denúncia”, destacou Fernanda Neves.

Encerrando o seminário, houve uma junção das mesas “O direito das crianças e as crianças com direitos: o ECA na vida real” e “Cultura do cuidado e redes de proteção: infâncias, território e cidade”. Participaram do debate o juiz João Zacharias de Sá, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; o conselheiro tutelar Sílvio Henrique; a embaixadora urbana da ONU-Habitat Miriam Medina e o consultor do escritório do Unicef Marcos Kalil, com mediação de Bira Marques. Em pauta, prevenção das violências; políticas territoriais de cuidado; cidades como agentes de proteção e articulação das redes de proteção.

Mais do que um evento comemorativo, o seminário afirmou um compromisso coletivo: não basta reconhecer os direitos das crianças, é preciso construir cidades que os garantam. 

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