Aplicação da primeira dose da vacina contra Covid-19 em Niterói completa cinco anos

 Bruna Kelly de Jesus Lemos, 39 anos, enfermeira, moradora de Niterói, mãe e profissional que trabalhou na linha de frente durante a pandemia de Covid-19 se recorda com detalhes do dia em que representou seus colegas e recebeu a primeira dose da vacina aplicada em Niterói, em 19 de janeiro de 2021. Há cinco anos, Niterói de destacou em nível nacional no enfrentamento da pandemia. O município foi pioneiro no estado do Rio no início da vacinação: a cidade aplicou mais de 1 milhão de doses das vacinas anti-Covid, um trabalho que não foi interrompido.

“Não foi só uma vacina. Foi um marco. Eu estava ali representando milhares de profissionais que tinham atravessado meses de medo, incerteza, exaustão e luta. Acompanhei pacientes do primeiro dia até a alta. Vi mais de mil pessoas vencerem a Covid-19, mas também vi muitas partidas. Tomei a vacina pensando no meu filho pequeno, na minha mãe com comorbidades, na minha família inteira. Me formei para isso. Estava onde precisava estar”, lembra a enfermeira.

A vacina utilizada foi a CoronaVac, seguindo as diretrizes do Plano Nacional de Imunização (PNI). Desde o início, Niterói adotou uma estratégia organizada e ágil, que permitiu avanços rápidos na cobertura vacinal.

“Cinco anos depois do início da vacinação, é impossível não reconhecer a dimensão histórica do enfrentamento à Covid-19 em Niterói. Tivemos coragem de inovar, adotamos políticas públicas que se tornaram referência nacional e colocou a proteção da vida acima de qualquer outra decisão. Investimos em ações sanitárias, sociais e econômicas, estruturamos uma ampla retaguarda hospitalar e criamos o Hospital Oceânico na Região Oceânica, uma unidade que nasceu para enfrentar a pandemia e que hoje é um legado para a saúde da cidade. Niterói provou que não havia nenhuma incompatibilidade entre combate à pandemia e ações para impulsionar a economia em um momento de crise. Nos tornamos referência no combate à Covid-19 e, ao mesmo tempo, tomamos medidas para incentivar a economia da cidade, mantendo postos de trabalho e a geração de renda”, destacou o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

O prefeito lembrou que os profissionais de saúde trabalharam de forma incansável e foram fundamentais para reduzir os impactos da doença. Rodrigo Neves ressaltou que o Hospital Oceânico se consolidou como uma unidade estratégica, com equipes qualificadas e preparadas para cuidar da população nos momentos mais difíceis.

Niterói também teve um papel ativo na viabilização da vacina que chegou à população. A parceria com o Instituto Butantan e a participação nos estudos da fase 3 da Coronavac reforçaram o compromisso do município com a ciência, a pesquisa e a responsabilidade pública.

O Hospital Municipal Oceânico Gilson Cantarino foi a primeira unidade exclusiva para o tratamento de pacientes com Covid-19 no país. A Prefeitura de Niterói arrendou as instalações de um hospital privado que estava fechado, realizou obras de adequação na unidade e começou a receber os primeiros pacientes em menos de um mês.

A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, destaca a importância da estratégia adotada pelo município desde o início da pandemia.

“A atuação antecipada e estruturada colocou Niterói em destaque, contribuindo de forma decisiva para a redução de casos graves, internações e óbitos relacionados à Covid-19. O início precoce da vacinação é lembrado como um marco da resposta do município à maior crise sanitária das últimas décadas”, afirmou a secretária.

Pioneirismo – O esforço para a imunização em Niterói começou com o prefeito Rodrigo Neves, que autorizou os testes com a Coronavac. Em dezembro de 2020, ele assinou com o Instituto Butantan, em São Paulo, um memorando para o fornecimento de 1,1 milhão de doses da vacina Coronavac para Niterói. O Ministério da Saúde adquiriu toda a produção do Butantan. Com isso, Niterói entrou no Programa Nacional de Vacinação e recebeu os primeiros lotes de vacinas fornecidas pelo governo federal.

Referência – Niterói foi referência ao inaugurar o Hospital Municipal Oceânico em 2020. A unidade fez mais de 3.400 atendimentos e salvou cerca de 2.500 vidas no período mais crítico. Atualmente, o hospital conta com Centro Cirúrgico, CTI, oferta de exames e procedimentos. Recentemente, a estrutura foi ampliada com a inauguração do Centro de Procedimentos Endoscópicos, espaço exclusivo para exames de endoscopia, colonoscopia e histeroscopia. A unidade também passou por expansão de leitos, incluindo espaços dedicados a pacientes cirúrgicos de curta permanência e internação, fortalecendo a assistência integrada.

O Centro Cirúrgico possui três salas independentes, capazes de realizar intervenções de forma simultânea quando necessário, com foco em procedimentos de média e alta complexidade. Além de cirurgias gerais, o Oceânico executa intervenções em diversas especialidades como cirurgia vascular, urológica, proctológica, ginecológica, oncológica, dermatológica e plásticas reparadoras não estéticas. A unidade conta ainda com serviços de tomografia, mamografia, ultrassonografia, ecocardiograma, eletrocardiograma e radiologia, além de exames laboratoriais de rotina.


Enfermeira segue com orgulho no Hospital Oceânico

A enfermeira Bruna Kelly de Jesus Lemos diz que continuar o trabalho no Hospital Oceânico dá uma sensação difícil de descrever. A profissional destaca que vive uma mistura de orgulho e pertencimento.

“É como um filho que a gente viu nascer, crescer e dar frutos. Esse hospital não morreu com o fim da pandemia. Ele abraçou novas histórias, novos cuidados, novas vidas. Eu faço parte disso. Na minha cidade, onde nasci e onde sonhei em trabalhar e servir à sociedade, viver a pandemia foi atravessar os momentos mais difíceis do planeta. A gente teve medo. A gente lidou de perto com a morte. Somos humanos. Mas quando entrava aqui, parecia que os medos ficavam de fora. A gente se fortalecia. A gente lutava. A gente se unia. Tem histórias que ficam marcadas para sempre. Lembro de uma criança que chegou pedindo socorro. Toda a equipe correu para tentar salvá-la. A gente conseguiu reanimar, mas depois ela não resistiu. Isso fica com a gente para a vida inteira”, disse a enfermeira.

Foto: Luciana Carneiro  

Botão Voltar ao topo
Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support